6.5- Os irmãos (e cunhados) de CJM
Francisco
Negrão, na “Genealogia Paranaense” (1), informa que CJM teve duas irmãs e um
irmão. São os seguintes:
Maria Lícia Munhoz- casou em
Paranaguá no dia 2 de fevereiro de 1850 (2) com o
português Manoel Martins da Rocha (...- 1883) (3). Tiveram 7 filhos, dentre os quais
Bento Munhoz da Rocha e Florêncio Munhoz da Rocha, dedicados à atividade
ervateira.
Balbina Lícia Munhoz (...-1888)- casou
com o major (da Guarda Nacional) Mathias Taborda Ribas, “comendador e
importante industrial”, nas palavras de F. Negrão. O casal não teve descendentes. Maria Nicolas afirma que Mathias foi
batizado em 1833 e faleceu em 1891, e que tinha engenho de erva-mate no
Pilarzinho. Foi deputado provincial nas legislaturas de 1874-75, 1876-77 e
1886-87 (e também vereador em Curitiba, acrescento eu) (4). Assinou,
juntamente com outros empresários, lista para a constituição da Associação
Comercial do Paraná em 1890 (5), sendo filho do capitão Ricardo José Taborda
Ribas, “grande latifundiário e pecuarista no Paraná”, segundo R. Costa de
Oliveira (6). O cap.
Ricardo morreu assassinado em 18 de abril de 1840 (7).
Mathias Taborda Ribas,
então capitão, assumiu a direção da Colônia Militar do Jataí em 10 de agosto de
1867, e nessa condição é citado pelo presidente Horta de Araújo em seu
relatório de 15 de fevereiro do ano seguinte (p. 38). A colônia, pela
legislação, deveria ter organização militar, mas seu pessoal era paisano.
Contava então 210 pessoas (39 famílias). Nela se cultivava milho, feijão,
arroz, cana- de- açúcar, mandioca etc. Localizava-se na margem direita do rio
Tibagi, em frente ao aldeamento indígena de S. Pedro de Alcântara, situado na
margem esquerda do mesmo rio, afluente do Paranapanema. Seu estado não era
promissor, principalmente por causa da ausência de estradas, segundo Horta de
Araújo, para quem, “aberta a comunicação com a província de Mato Grosso”, (o governo) poderá estabelecer ali um
ponto militar que sirva de seguro apoio à fronteira da província”. A questão
estava relacionada à navegação pelos rios Tibagi e Paranapanema, por meio dos quais
se poderia chegar ao Mato Grosso. Mathias Taborda Ribas administrou a Colônia
até 1º de fevereiro de 1869, conforme o relatório do presidente Antonio Augusto
da Fonseca de 1º de setembro do mesmo ano, p.16.
Em 14 de julho de 1873,
o capitão Mathias Taborda Ribas foi nomeado major comandante do 5º esquadrão de
cavalaria do distrito de Rio Negro (cf relatório do presidente Frederico C.A.
Abranches de 15 de fevereiro de 1874, p. 7).
No ano seguinte, em 21 de
abril, Mathias deixou de exercer o cargo de administrador do registro de Rio
Negro para tomar assento na Assembleia Legislativa Provincial (cf relatório do
presidente Frederico C.A.Abranches de 15 de fevereiro de 1875, p. 41).
“O Paranaense” de 2 de novembro de 1879- p. 3 (“Órgão do Partido
Conservador”) traz uma nota sobre a inauguração do novo engenho de erva-mate de
Mathias Taborda, a cuja cerimônia de benção foram convidados o vigário padre
Agostinho e o frade Luis de Cimitili.
Mathias e sua esposa ofereceram aos presentes “um profuso copo d’água”. Ele
assegura poder socar ali 280 arrobas de erva por dia ou 4.200 kg. Para o
jornal, esse novo engenho “é o melhor engenho atualmente em Curitiba. Está
assentado num dos lugares mais aprazíveis do rocio”. Indica como uma de suas
condições especiais a grande abundância d’água. “No mesmo lugar e com a mesma
água trabalham dous engenhos pertencentes ao referido nosso amigo”.
Sobre esse cunhado de CJM encontrei algumas
referências no “Dezenove de Dezembro”:
Em 1885, ele era
vereador em Curitiba, como mostra uma ata da sessão da Câmara Municipal de
Curitiba, publicada no jornal (8). O DD
de 8 de janeiro de 1886- p. 1 informa sua eleição para o cargo de presidente
daquela Câmara, cujas funções ele exercerá “no
corrente ano”. Mas logo depois, o DD de 26 de fevereiro de 1886- p.1 comunica que
ele é um dos deputados eleitos para a futura Assembleia Provincial. O jornal divulga
a relação de todos os deputados eleitos: 12 liberais e 10 conservadores. No
final de 1887, o major Mathias Taborda Ribas e outros “chefes” do Partido
Conservador (comendadores Antonio Ricardo dos Santos e Ildefonso Pereira
Correia, coronel José Correia de Bittencourt, Eduardo Augusto de Vasconcelos
Chaves) dirigiram uma circular aos seus correligionários “convidando-os para a
eleição de deputados provinciais” (9).
O major Mathias Taborda
Ribas foi nomeado em 1888 2º suplente do
juiz municipal da capital (10) e exerceu as funções de juiz de
órfãos (cargo do qual era 2º suplente) (11).
Após o falecimento de
sua mãe, D. Francisca Joaquina Lustosa de Andrade, ele libertou as escravas Januária
e Sebastiana, de propriedade dela, conforme o DD de 29 de fevereiro de 1888-
p.1. As cartas de liberdade foram entregues pelo Visconde de Nácar na igreja Matriz,
por ocasião da missa de 7º dia do falecimento. Nessa mesma data da edição do
jornal, 29 de fevereiro, o major Mathias sofre outro duro golpe com a morte de
sua esposa, D. Balbina Lícia, irmã de CJM (12).
Em 1889, por algumas
edições do DD (13), verifico que Mathias Taborda Ribas pertencia
a uma ala do Partido Conservador que se contrapunha então à dos “Correias”, e
sua política, integrada pelo Barão do Serro Azul, senador Correia e Visconde de
Nácar. A ala de Mathias era a mesma de José Francisco da Rocha Pombo, Dr.
Justiniano de Mello e Silva, Zacarias de Paula Xavier, Tobias de Macedo,
Ricardo S.D. Negrão e outros. Nesse mesmo ano de 1889, Mathias é um dos
agraciados com o oficialato da Ordem da Rosa (14).
Bento Florêncio Munhoz- casou, em 25
de agosto de 1852, com Maria do Céu Taborda Ribas, então com 15 anos (15), filha do
capitão Ricardo José Taborda Ribas e de Francisca Joaquina de Andrade. O casal
Bento-Maria do Céu não teve filhos. Ela era irmã do major Mathias Taborda Ribas.
Assim, os irmãos Balbina e Bento casaram com os também irmãos Mathias e Maria
do Céu.
A
próxima seção deste capítulo refere-se a Bento Florêncio Munhoz.
NOTAS
(1) NEGRÃO,
Francisco- “Genealogia Paranaense”-op cit, v. I, p. 255, 262, 263
(2)
Informação
fornecida pela Mitra Diocesana de Paranaguá.
(3) O ano da morte é
1883 porque Florêncio Munhoz da Rocha, no DD de 5.06.1884- p.4, convida para
missa pela alma do pai “no 1º aniversário de seu falecimento”.
(4) NICOLAS,
Maria—“130 Anos de Vida Parlamentar Paranaense”- op cit, p. 119, 124, 125 e 159.
O “Dezenove de Dezembro” refere-se a ele também como vereador (cf por exemplo o
DD de 1.08.1883- p. 4)
(5) OLIVEIRA, Ricardo
Costa de—“O Silêncio dos Vencedores”- op cit, p. 62
(6) OLIVEIRA, Ricardo
Costa de – op. cit., p. 62, com base em Negrão, Francisco—“Genealogia
Paranaense” v.II, p. 247
(7) NEGRÃO,
Francisco-- “Efemérides Paranaenses”.1º volume (janeiro a junho). Edição
comemorativa do 20º aniversário de fundação do Círculo de Estudos
“Bandeirantes”. Curitiba, 1949- p. 224
(8) Cf ata da sessão
da Câmara Municipal de Curitiba realizada em 3 de outubro de 1885, publicada no
DD de 23.10.1885- p.2
(9) DD de
26.11.1887-p.2
(10) DD de 1.02.1888-
p. 1
(11) DD de
18.09.1888- p. 4
(12) DD de 3.03.1888-
p.1
(13) DD de 2.03.1889-
p. 1; DD de 16.03.1889- p. 1; DD de 10.08.1889- p. 2
(14) DD de
15.10.1889- p. 2
(15) NEGRÃO,
Francisco—“Genealogia Paranaense”- op cit, v.II, p. 248
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